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Orla da praia de Meaípe em Guarapari pede socorro

Os estudos que estão sendo feitos sobre as areias monazíticas na região avançam no sentido de fornecer um diagnóstico para o problema que atinge a região

Nesta terça-feira (20), lideranças comunitárias, representantes do poder público e da iniciativa privada se reuniram para aprofundar o debate sobre causas e soluções para a erosão que atinge a orla de Meaípe e região. Na ocasião, o Prof. Dr. Marcos Tadeu D’Azeredo Orlando, que integra a equipe de pesquisa em torno das areias monazíticas no local, apresentou um panorama inicial sobre o problema, resultado de uma compilação de dados e um encontro com cientistas renomados, ocorrido na última semana, em São Paulo.

“A solução que a gente está propondo de imediato é a engorda da praia para resolver o problema em curto prazo. Existem vários fatores que a gente precisa estudar, queremos dar o diagnóstico amplo para que a engenharia entre e faça a correção para 200 anos. Não é muro”, ressaltou.

De acordo com o pesquisador, o processo natural de reposição da areia está comprometido, provocando a erosão e o avanço do mar ao longo dos anos. Entre os fatores, está o Porto de Ubu, administrado pela Samarco Mineração, e as retiradas de areia para aumentar o calado de acesso ao local. “Precisamos entender porque a areia não está sendo resposta naturalmente, o calado da Samarco não é a única razão, mas checamos documentos, pesquisas armazenadas em radares e satélites e encontramos inconsistência no relatório da empresa. Esse é um fator, mas não existe o maior, tem um problema também no fluxo de areia que vem do norte, e precisamos saber o motivo, além das modificações na região costeira, por exemplo. Todos os fatores serão checados”.

Os estudos sugerem, ainda, que a areia dragada para o calado, poderia ser utilizada para engordar a praia e questionam a razão para isso não ter sido adotado desde as operações no porto. “Essa é uma areia monazítica, de terra rara e cara, não faz sentido depositar em outro local. O que está sendo feito?”, questionou o Prof. Dr. Marcos Tadeu.

“Pra gente é uma questão de sobrevivência. Existe um temor grande a gente percebe que a solução, graças a Deus, está surgindo. O Estado já se posicionou, agora, o pessoal da Ufes e da USP está dizendo que tem condições de fazer os estudos necessários para contribuir para a solução. A gente tem um problema e a Samarco tem a possibilidade de ajudar, acredito que o diálogo é o caminho”, destacou Geraldino Nascimento, comerciante local.

Espigões

Segundo Prof. Dr. Marcos Tadeu, a ideia inicial do Departamento de Estradas de Rodagens do Espírito Santo (DER-ES) de construir espigões não é a solução. “Acho que isso foi colocado na necessidade imediata de apresentar alguma ideia, mas não é trazendo um elemento a mais que vai resolver. Algo interrompeu o fluxo de areia e isso precisa ser solucionado. Os maiores cientistas desse país, que eu conheço e que são cientistas internacionais, estão dispostos a ajudar e estão apenas pedindo apoio e estrutura para fazer. Mas só vai sair se o poder público quiser, a Samarco quiser e a população quiser.”

Governo do Estado

Presente no encontro e representando o poder público estadual, o subsecretário de Turismo, Gedson Merízio, comentou. “O Governo do Estado já sinalizou que não haverá obras paliativas e sim duradouras. E as pesquisas da Ufes/USP vão antecipar um processo do Estado, que faria esse estudo para a tomada de decisões de engenharia. Agora, os trabalhos desses pesquisadores serão fundamentais”.

Workshop

No encontro, ficou decidido que um workshop será realizado em novembro, com a presença dos principais pesquisadores e cientistas envolvidos, para ampliar a divulgação dessas informações e de todo cenário que envolve os estudos propostos.

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